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{6 de fevereiro de 2012}   Nota de pesar pela quase morte da Livraria Lesco-Lesco(Carlos Gildemar Pontes)
 Nota de pesar pela quase morte da Livraria Lesco-Lesco

Prezada Ministra da Cultura,
Artista, Leitora, Ana de Hollanda.

É com imenso pesar que venho pedir a Senhora Ministra que encaminhe para o Brasil inteiro uma NOTA DE PESAR pela quase morte da Livraria Lesco-Lesco, situada no Calçadão Tenente Sabino, 63 – Centro, cidade de Cajazeiras-PB, cidade que ostenta o jargão de ter sido “A cidade que ensinou a Paraíba a ler”.
Creio que a excelentíssima ministra poderia abrir um inquérito criminal para apurar as condições que levarão a óbito mais uma Livraria neste país.
Posso emprestar meu nome de escritor, professor universitário, leitor e co-proprietário da Livraria Lesco-Lesco como testemunha principal no processo. Eu vi, com estes olhos que a terra há de comer; eu ouvi, com estes ouvidos entupidos por essa música ordinária e estupidificante que tomou conta das rádios do país, e tem feito a juventude perverter seus valores morais e éticos, rebolando e repetindo como papagaio refrões que degeneram a condição feminina e exaltam a imbecilidade masculina; sim, senhora ministra, eu sou testemunha ocular e auricular. 
A cidade de Cajazeiras tem o privilégio de ter um campus de uma Universidade Federal de Campina Grande, um Instituto Federal, três Faculdades Particulares e inúmeros cursos caça-níquel oferecidos por universidades/ Faculdades de fachada. Lamento, como professor da Universidade Federal, que a educação esteja também caminhando célere para a agonia de esperar a sua barbarização. Sou articulista ocasional de jornais e sites e, sempre que publico um artigo sobre educação, recebo inúmeras palavras de conforto, como se eu, pobrezinho de um professor, estivesse arquejando numa profissão que só teve passado. É, a senhora a de convir que não há futuro para nós, devotos homo sapiens escolarizados.
Não irei de forma alguma colocar culpa no governo, o governo para a massa é uma abstração representada por um(a) vereador(a), um(a) deputado(a), um(a) senador(a) e um(a) presidente(a) inacessíveis. Quando o povo chega perto de um político é para pedir favores e/ ou esmolas, o que dá no mesmo.
A senhora, como artista, tem um currículo portentoso, por isso é ministra com categoria para tal. Mas os artistinhas das cidadezinhas dos interiorezinhos deste gigante adormecido, quiçá anestesiado, Brasil, gostariam de ter uma conversa com a senhora, procurar entender como é ser artista aí por cima, quando aqui embaixo a cultura anda cada vez mais curta, apesar dos esforços dos editais e das políticas dirigidas aos que sabem elaborar projetos. Pois é, para os artistinhas, principalmente os populares, a maior barreira entre a cultura e a curtura é um projeto.
Bem, mas não quero desfocar o objeto desta carta, que é a denúncia do crime contra os leitores brasileiros. Quando eu era universitário, na década de 80, ouvia falar que havia mais livrarias na cidade de Buenos Aires do que no Brasil inteiro. Creia, minha ministra, eu morria de vergonha. E naquela época eu coloquei na cabeça que iria ter uma Livraria para poder diminuir esta relação entre “los hermanos” borgistas e cortazistas da capital argentina, e nós, boleiros pelezistas, ronaldistas e agora, perdoe a má palavra, bigbrotherzistas. Minha mãe diria sem entender o que falo, “cruz credo, meu filho”.
Não sei se a senhora é uma destas mulheres chatas da administração, com cara de sargentão, sem ofensas ao sargento, que pensam que a igualdade de gêneros é uma imposição e tratam os homossexuais, negros e índios como cotistas de uma civilização morena, como diria o velho Brizola. E daí passam a discriminar o povo como homofóbico, racista e colonialista, quando na verdade o povo precisa é de Educação, Emprego, Saúde, Cultura, para entender minimamente o que é bem estar social e igualdade de tudo. Excetuo a senhora disto, porque respeito e admiro sua família, principalmente o Sérgio Buarque de Hollanda

Mas lamento e me revolto pela morte de uma Livraria, porque sou escritor, professor e leitor, repito. E vou depor em todos os fóruns onde possa alcançar a minha voz e a minha palavra escrita que nós sucumbimos muito com a morte dos nossos valores culturais e intelectuais.


Carlos Gildemar Pontes

gilpoeta@yahoo.it
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